É muito fácil assustar homens, digo isso para mim a todo o instante.
Gosto muito de jantares e cerveja, de pescoços cheirosos e um bom sarcasmo, de homens silenciosos e que guardam algum tipo de mistério, gosto de uma porção de homens e sou sincera, poderia eu ser mais mulherenga (não sei o masculino da palavra) que qualquer homem.
Mas se 2009 teve alguma coisa de entediante foram os relacionamentos, desde que entrei na universidade admito que fiquei mais sem graça, mais desanimada seria a palavra. Eu fico cansada até de tentar ligar no outro dia, de mandar mensagem bobinha, de mentir coisas que ele gostaria que eu gostasse e no entanto eu odeio.
Tenho sido ríspida, mais do que sempre fui, pois eu nunca fui uma moça muito simpática nem muito bonita (é claro), conquistava os homens na piada ou na bebedeira, assim como eles me conquistavam.
Cansei de marcar encontros, de esperar muito por um beijo, de ter que arriscar uma declaração para ver se alguma coisa enfim acontece. Mais farta estou das festas nas boates em que nada se ouve, em que vomitam no seu pé e te empurram por todos os lados para que talvez aconteça um afago único na sua vida, pois é provável que nunca mais você veja aquela pessoa ou veja e se envergonhe de ter beijado aquela e não a que estava ao lado.
Retomo que é muito fácil assustar homens. Pergunte sobre filhos, família, cozinha, namoro. Ou chore, chore muito sobre seus 37 relacionamentos que não deram certo. Melhor que isso, fale que terá um churrasco de família e que a sua mãe quer conhecê-lo ou recuse sexo antes do compromisso, etc...
Existe uma lista comum a todos os homens (sim, o intelectual que fez pós-doutorado na Sorbonne também está incluso). Esta lista serve para os momentos em que você está exausta de estar junto ou de esperar e às vezes ela se manifesta até quando não queremos.
Assim como é inato a todo código genético masculino ter a lista, também a nós mulheres é inata a possibilidade de não controlar as vontades de que algo da lista seja aceito. Uma pena!
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Abre os olhos em um movimento que rasga as pálpebras para que se visualize a luz. Dói, o invisível machuca na sua intensidade de vazio.
A cegueira é neblina que quando mais se aproxima de algum pedaço de significante se abre como cortinas de teatro e contorna um pedaço de quase nada que pode ser muita coisa, os traços não trazem unidade.
Quando o caos reina seus olhos ceguentos de tanto acreditar que enxergam tornam-se uma luneta, quase caleidoscópica, onde o novelo de significação tem um nó naquilo que nem o conceito deixa claro: o caos.
Você tem medo dos sons e das sensações, do toque e da percepção. Tem medo de estar louco ou sóbrio demais.
Com força três fitas lhe puxam até o centro do salão, você está suspenso em meio ao esboço de uma arquitetura. Chacais farejam em meio ao labirinto de mãos que clamam por sua carne. A cada passo dado pela matilha mais a multidão inunda-se a salivar e o jogo de luzes confunde os chacais e os humanos. Zoomorfização.
Todos te devoram, como em uma orgia. Devoram-te como santa ceia que foste e ofereces o teu seio como redenção de todo o pecado do teu sexo.
És ainda tentação, não no teu gesto, mas na tua carne impura. Precisas de refúgio, de abrigo para longe dos olhos e dos olfatos. Te exilas ao modo de uma freira carmelita onde quando retornares ao teu Éden original...
Abre os olhos em um movimento que rasga as pálpebras para que visualize a luz. Dói, o invisível machuca na sua intensidade de vazio.
De visível só tu, fruto humano. De visível só a consciência.
A cegueira é neblina que quando mais se aproxima de algum pedaço de significante se abre como cortinas de teatro e contorna um pedaço de quase nada que pode ser muita coisa, os traços não trazem unidade.
Quando o caos reina seus olhos ceguentos de tanto acreditar que enxergam tornam-se uma luneta, quase caleidoscópica, onde o novelo de significação tem um nó naquilo que nem o conceito deixa claro: o caos.
Você tem medo dos sons e das sensações, do toque e da percepção. Tem medo de estar louco ou sóbrio demais.
Com força três fitas lhe puxam até o centro do salão, você está suspenso em meio ao esboço de uma arquitetura. Chacais farejam em meio ao labirinto de mãos que clamam por sua carne. A cada passo dado pela matilha mais a multidão inunda-se a salivar e o jogo de luzes confunde os chacais e os humanos. Zoomorfização.
Todos te devoram, como em uma orgia. Devoram-te como santa ceia que foste e ofereces o teu seio como redenção de todo o pecado do teu sexo.
És ainda tentação, não no teu gesto, mas na tua carne impura. Precisas de refúgio, de abrigo para longe dos olhos e dos olfatos. Te exilas ao modo de uma freira carmelita onde quando retornares ao teu Éden original...
Abre os olhos em um movimento que rasga as pálpebras para que visualize a luz. Dói, o invisível machuca na sua intensidade de vazio.
De visível só tu, fruto humano. De visível só a consciência.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Iniciei uma novela, amor. Sobre você que eu degusto, que eu consumo, até ser finito em mim, até ser vírgula para o próximo. És meu como vício, tão fugidio que escapa pelas narinas e lábios, tão descartável que sujas as calçadas e praças. Na tua breviedade de existência quantas tragadas são mesmo? Escrevo-te, pois das tuas cinzas e fumaça sobra-me sempre eu e o meu palato. Amor egocêntrico. Tocas a eternidade através da minha voz e palavra. E, por fim, escolho te mater aprosionado para que eu e você sejamos juntos uma única palavra macia, mas qual? (pausa) Talvez afeto.
ps: leia em voz alta esta palavra, não é macia?
ps: leia em voz alta esta palavra, não é macia?
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Discurso acerca do anonimato
Encosta-me a mão na cintura, dedos longos quase pianista. Eu observo assustada as tuas costas que me fogem pelo vão do corredor. Ousou tocar-me para tirar meu sossego, ousou tocar-me pois és tu aquele que sabe que sou tua, cada perímetro cutâneo. Ousou desviar o vento para que ele me beijasse a nuca e deixasse marca, marca de vazio impresso nos poros.
Manipulas os caminhos, água em pintura aquarelável. Beijas-me a boca para zelar o inexistente de tudo que nos é secreto, só nosso. Provocas oscilações de humor e eu te devolvo o dobro em silêncio brando. Promíscua à dor, quase masoquista. Quase muita coisa, sempre a beira de não ser nada.
Não estou no seu porta-retrato, nem marcando uma página do seu livro favorito, não toco na sua vitrola, não sou seu tema de amor. E ainda sim ousas raspar-me os dedos na cintura para que eu te pertença neste instante o qual de mim nada queres.
Manipulas os caminhos, água em pintura aquarelável. Beijas-me a boca para zelar o inexistente de tudo que nos é secreto, só nosso. Provocas oscilações de humor e eu te devolvo o dobro em silêncio brando. Promíscua à dor, quase masoquista. Quase muita coisa, sempre a beira de não ser nada.
Não estou no seu porta-retrato, nem marcando uma página do seu livro favorito, não toco na sua vitrola, não sou seu tema de amor. E ainda sim ousas raspar-me os dedos na cintura para que eu te pertença neste instante o qual de mim nada queres.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
o que os diários dizem sobre solidão...
É tão difícil entender o querer que tenho? É pecado? Incidente? Explica, amor... Pois eu já não sei o que é ser simples nessa coisa de gostar, nessa coisa de te olhar, encostar teus lábios, ouvir o som que é aquele nosso e ter que ser nada, extensão de silêncio que não cabe em mim.
Olha para mim agora que meus olhos são duas gotas de mar e me diz se vale a pena engolir maré quando tuas mãos se encaixam tão bem nas maçãs do meu rosto, se o teu acorde sai do meu cordão...me explica... Se teu ombro é a perfeita arquitetura para eu descansar, se o teu perfume combina com a estamparia dos meus lençois e se o nosso ritmo é aquele sapato meio atravessado, me explica o que tem de errado... Se o teu riso e a minha lágrima são meu carrossel vital, me explica...
ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=IWXTisH11-Y&NR=1
Olha para mim agora que meus olhos são duas gotas de mar e me diz se vale a pena engolir maré quando tuas mãos se encaixam tão bem nas maçãs do meu rosto, se o teu acorde sai do meu cordão...me explica... Se teu ombro é a perfeita arquitetura para eu descansar, se o teu perfume combina com a estamparia dos meus lençois e se o nosso ritmo é aquele sapato meio atravessado, me explica o que tem de errado... Se o teu riso e a minha lágrima são meu carrossel vital, me explica...
ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=IWXTisH11-Y&NR=1
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Nos olhamos e os sorrisos se suspendem na distância, como um novelo e duas agulhas de tricot. De tanto nos enroscarmos somos um só cachecol. Tão tímido que olhamos para baixo, mexo no cabelo e você coça a testa. Sua bengala aflora um guarda-chuva... chove muito.
sábado, 29 de agosto de 2009
Este lugar ainda é um diário
Caro leitor,
Aquela página que está ali marcada... Dostoiévski, p.73 . Sim, exatamente aquela frase, aquela tão comum que você deve me ouvir dizer a um vazio anonimato: " - Estava pensando em você (...)" e não fugindo ao texto esperaria que o vazio falasse alguma coisa, mais não qualquer coisa, pois ele também teria que seguir um script, poderia ser outro, mas não seria aceito nenhuma negação como prévia.
Peço ao vazio mais um café, mais uma valsa, e dançamos um tanto que meus sapatos se desgastaram junto a minha face. O vazio me responde em silêncio sempre, entrelaço meus braços nos meus solitária e observo delicadamente meus olhos borrados no espelho, não sou uma pintura e me pinto para chegar ao teor de arte, e me pinto e exalo perfumarias distintas para o teu olfato, para o teu afeto, para prender o vazio no ventre, na garganta, no timbre seco da lágrima que se disfez na boca.
Eu não escrevo mais o vazio, o vazio é que escreve, que prende o pulso, esse vazio que é teu... só teu e que me toma.
Aquela página que está ali marcada... Dostoiévski, p.73 . Sim, exatamente aquela frase, aquela tão comum que você deve me ouvir dizer a um vazio anonimato: " - Estava pensando em você (...)" e não fugindo ao texto esperaria que o vazio falasse alguma coisa, mais não qualquer coisa, pois ele também teria que seguir um script, poderia ser outro, mas não seria aceito nenhuma negação como prévia.
Peço ao vazio mais um café, mais uma valsa, e dançamos um tanto que meus sapatos se desgastaram junto a minha face. O vazio me responde em silêncio sempre, entrelaço meus braços nos meus solitária e observo delicadamente meus olhos borrados no espelho, não sou uma pintura e me pinto para chegar ao teor de arte, e me pinto e exalo perfumarias distintas para o teu olfato, para o teu afeto, para prender o vazio no ventre, na garganta, no timbre seco da lágrima que se disfez na boca.
Eu não escrevo mais o vazio, o vazio é que escreve, que prende o pulso, esse vazio que é teu... só teu e que me toma.
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